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  • Capital natural e biodiversidade na nova era digital: rumo a uma inteligência ecológica para o século XXI

    Introdução

    A crise contemporânea do capital natural exige novas formas de compreensão, gestão e ação coletiva. Neste artigo, o capital natural é entendido como o conjunto de componentes bióticos e abióticos que sustentam a vida e os processos ecológicos, enquanto a biodiversidade se refere especificamente à variedade de genes, espécies, comunidades e ecossistemas que o integram. Embora os dois conceitos estejam estreitamente relacionados, eles não são equivalentes: a biodiversidade constitui uma dimensão central do capital natural e possui, além de suas funções ecológicas e sociais, um valor intrínseco que não depende exclusivamente de sua utilidade econômica.

    Nesse contexto, a expressão infraestrutura viva designa o conjunto de sistemas ecológicos que sustentam processos territoriais como a regulação hídrica, a formação dos solos, a polinização, a conectividade ecológica, o fornecimento de alimentos, a estabilidade climática e a reprodução cultural das comunidades. Essa infraestrutura não se manifesta de maneira uniforme. A biota apresenta formas, densidades, relações e vulnerabilidades distintas nas florestas tropicais úmidas, florestas secas, páramos, áreas úmidas, zonas costeiras, ambientes marinhos, savanas, desertos e sistemas urbanos. Por isso, qualquer estratégia digital deve reconhecer a expressão diferenciada da vida nos grandes contextos ecológicos do planeta e evitar a aplicação da mesma grade, indicador ou modelo como se todos os territórios fossem comparáveis.

    O estudo da natureza utiliza tecnologias há várias décadas. A cartografia, a fotografia aérea, o sensoriamento remoto, os bancos de dados, os sistemas de informação geográfica, a telemetria e a modelagem ecológica fazem parte da prática científica contemporânea. A novidade da nova era digital não reside, portanto, em digitalizar aquilo que antes era inteiramente analógico, mas em automatizar a coleta, a classificação, a integração e a interpretação de grandes volumes de informação. A inteligência artificial, os sensores remotos, o DNA ambiental, a bioacústica automatizada, os gêmeos digitais e as plataformas de relatórios ampliam as escalas espaciais e temporais da observação, mas também introduzem novos vieses, dependências tecnológicas e desafios de interpretação.

    Na América Latina surge um paradoxo decisivo: a região concentra uma extraordinária riqueza biológica, mas grande parte de suas informações permanece dispersa, não digitalizada, afetada por lacunas taxonômicas, baixa interoperabilidade e acesso desigual. Essas desigualdades manifestam-se entre áreas urbanas e rurais, entre instituições com diferentes capacidades financeiras, entre ecossistemas intensamente monitorados e territórios remotos, bem como entre línguas dominantes e conhecimentos locais que nem sempre encontram espaço nas plataformas digitais. Democratizar a informação biótica exige, portanto, conectividade, infraestrutura pública, formação especializada, padrões comuns, reconhecimento de autoria e mecanismos de proteção para dados sensíveis (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe [CEPAL], 2024).

    Essas tensões levantam questões incontornáveis: quem controla os dados do capital natural? Quem decide o que deve ser medido e em qual escala? Como evitar que a natureza seja reduzida a indicadores financeiros? Os limites biogeográficos, humanos e ecológicos são respeitados quando a vida é representada por meio de grades digitais? O que acontece com o conceito de unidade mínima cartografável quando os algoritmos agregam ou simplificam territórios heterogêneos? Qual é o lugar atribuído às comunidades locais, aos povos indígenas e aos conhecimentos territoriais? Essas perguntas não questionam o uso da tecnologia em si; questionam a ideia de que automatizar equivale necessariamente a compreender.

    Da caracterização territorial a uma inteligência ecológica assistida

    A conservação da biodiversidade tem se apoiado historicamente em inventários biológicos, coleções científicas, áreas protegidas, restauração ecológica, monitoramento de populações e regulamentação ambiental. Essas estratégias continuam sendo fundamentais. Antes de automatizar, é necessário conhecer o território: percorrê-lo, descrevê-lo, identificar espécies, registrar interações, compreender os ciclos ecológicos e confrontar os dados com a experiência daqueles que o habitam. Nenhum algoritmo substitui o trabalho de campo, a validação taxonômica ou a interpretação situada do pesquisador.

    A modernização científica exige métodos estatísticos explícitos, rastreabilidade e decisões baseadas em evidências. No entanto, essa exigência não deve ocorrer em detrimento da caracterização básica. Os modelos dependem dos dados de origem, e os dados dependem de observações realizadas em condições específicas. Quando as amostras são escassas, geograficamente enviesadas ou derivadas de categorias mal definidas, a automação não elimina o problema: ela o amplia e lhe confere uma aparência de precisão.

    Nesse contexto, a inteligência ecológica digital não deve ser entendida como uma qualidade autônoma das máquinas, mas como uma capacidade humana, científica e institucional apoiada por ferramentas computacionais. Os sistemas geralmente denominados inteligência artificial são treinados para reconhecer padrões, classificar registros ou estimar probabilidades. Eles podem emular determinadas operações cognitivas, mas não possuem a compreensão biológica, histórica, ética e territorial que orienta a pesquisa ecológica. Sua função deve ser auxiliar, e não substituir.

    Essas ferramentas podem contribuir para a identificação de espécies, a análise de imagens e sons, a detecção de mudanças na cobertura do solo, a modelagem da distribuição das espécies e a geração de alertas precoces. Seus resultados, entretanto, devem ser submetidos à validação de campo, à análise de incertezas, à avaliação de vieses e ao exame de sua transferibilidade entre diferentes regiões. Um modelo treinado em uma floresta úmida, em uma coleção urbana ou a partir de um conjunto de espécies bem documentadas não pode ser automaticamente extrapolado para outros contextos. A inteligência ecológica resulta da articulação entre dados, conhecimento naturalista, métodos quantitativos, experiência territorial e deliberação pública (Cañas et al., 2025).

    O capital natural como sistema de informação, e não como mercadoria

    Na era digital, os sinais dos ecossistemas podem ser transformados em dados: imagens, sons, sequências genéticas, registros de ocorrência, variáveis climáticas, propriedades do solo, fluxos hídricos e mudanças na vegetação. Sensores, satélites, drones, armadilhas fotográficas, DNA ambiental e plataformas geoespaciais permitem construir camadas de informação que anteriormente eram difíceis de integrar. Entretanto, os dados não são a natureza; são representações parciais produzidas a partir de decisões relacionadas à escala, à amostragem, à resolução, às categorias e aos métodos de validação.

    Essa distinção é importante porque o capital natural não pode ser reduzido a um conjunto de ativos, riscos ou oportunidades. A vida possui valores intrínsecos, relacionais, culturais e ecológicos que não são ordinais nem plenamente intercambiáveis. Uma espécie endêmica, uma área úmida sagrada, um corredor biológico ou uma relação ecológica não podem ser automaticamente substituídos por mecanismos de compensação contábil. Reconhecer os impactos e as dependências empresariais pode ser útil, mas isso não deve suprimir o direito dos ecossistemas de persistir nem as obrigações coletivas de cuidado (Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services [IPBES], 2022).

    A abordagem LEAP, desenvolvida pela Taskforce on Nature-related Financial Disclosures, pode ajudar as organizações a localizar, avaliar, analisar e preparar respostas para questões relacionadas à natureza. Sua aplicação, porém, exige consulta significativa, participação antecipada e governança de dados. Aplicá-la em territórios indígenas ou comunitários sem consentimento, sem acordos sobre a propriedade e o uso das informações ou sem mecanismos de repartição de benefícios pode transformar o monitoramento em uma forma de extrativismo de dados. As próprias orientações da TNFD reconhecem que o envolvimento dos povos indígenas, das comunidades locais e das partes interessadas afetadas deve estar integrado a todo o processo de avaliação, e não limitado a uma validação posterior (Taskforce on Nature-related Financial Disclosures [TNFD], 2023a, 2023b).

    Tecnologias antecipatórias submetidas a limites ecológicos e padrões comuns

    Uma das principais possibilidades oferecidas pela automação consiste no fortalecimento de uma gestão antecipatória. Em vez de intervir somente depois que o dano ocorre, as ferramentas digitais podem detectar sinais precoces de desmatamento, fragmentação, perda de espécies, alteração hidrológica, incêndios, poluição ou mudanças fenológicas. Essas capacidades podem apoiar governos, universidades, comunidades e organizações, desde que os sistemas de alerta precoce estejam conectados a decisões, recursos e responsabilidades concretas.

    A utilidade dessas ferramentas depende da qualidade, da representatividade e da comparabilidade dos dados. A América Latina ainda está distante de alcançar uma interoperabilidade plena: persistem registros não digitalizados, os padrões são aplicados de maneira desigual, os metadados são incompletos, permanecem lacunas geográficas e taxonômicas e existem dificuldades para integrar informações provenientes de diferentes países, instituições e ecossistemas. As plataformas globais contribuíram para mobilizar os dados, mas não corrigem, por si mesmas, os vieses de origem nem garantem a validação nomenclatural e ecológica (Global Biodiversity Information Facility [GBIF], 2020; Bloom et al., 2021).

    A agenda regional deve avançar em direção a protocolos de amostragem comparáveis, vocabulários controlados, identificadores persistentes, metadados completos, coleções de referência, validação taxonômica, interoperabilidade entre sistemas e acesso multilíngue. Democratizar não significa publicar de maneira indiscriminada. A localização de algumas espécies ameaçadas, os conhecimentos tradicionais ou os dados genéticos exigem níveis diferenciados de acesso. A abertura deve estar associada à proteção, à atribuição, ao consentimento e à responsabilidade.

    Natureza positiva: um horizonte político, e não uma garantia tecnológica

    O conceito de natureza positiva propõe interromper e reverter a perda de biodiversidade, restaurar ecossistemas e reorganizar as atividades econômicas para que não destruam as bases ecológicas das quais dependem. Como horizonte político, ele pode mobilizar ações relevantes, mas se torna problemático quando é apresentado de forma determinista, como se a tecnologia pudesse reverter unilateralmente processos complexos ou restaurar qualquer sistema degradado.

    Os ecossistemas respondem a limiares, dependências históricas, interações não lineares e períodos de recuperação que nem sempre correspondem aos ciclos de investimento ou de políticas públicas. Algumas perdas são irreversíveis; outras exigem décadas e não podem ser compensadas por um aumento equivalente em outro local. A noção de natureza positiva, portanto, somente adquire sentido operacional quando está vinculada a inventários, linhas de base, áreas de referência, limites ecológicos, monitoramento contínuo, verificação de campo, participação comunitária e gestão adaptativa.

    O Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal estabeleceu quatro objetivos para 2050 e 23 metas de ação para 2030, acompanhados de um marco de monitoramento destinado a orientar sua implementação. Seu alcance não deve ser interpretado como uma autorização para simplificar a natureza em um painel de indicadores, mas como um convite para fortalecer as capacidades científicas, institucionais e sociais necessárias à conservação, à restauração e ao uso sustentável da biodiversidade (Convention on Biological Diversity [CBD], 2022). A medição é necessária, mas não pode substituir a deliberação sobre o que deve ser protegido, para quem e dentro de quais limites.

    A pegada material e biogeográfica do digital

    Nem tudo o que é digital é ecologicamente sustentável. A infraestrutura tecnológica consome energia, água, minerais, terras e materiais; produz resíduos eletrônicos e exige redes de armazenamento e processamento cuja pegada frequentemente permanece invisível para os usuários. Até mesmo a observação da Terra produz impactos associados aos satélites, aos centros de dados, à transmissão, ao armazenamento e ao processamento em nuvem (Anderson et al., 2024). A expansão do setor tecnológico também aumenta a dependência de energia, água, minerais críticos e infraestruturas físicas, podendo exercer pressões adicionais sobre os ecossistemas (World Economic Forum, 2025).

    Essas pegadas não são territorialmente equivalentes. Um centro de dados instalado em uma região submetida ao estresse hídrico, caracterizada por elevada sensibilidade ecológica ou dependente de uma matriz energética intensiva em carbono não produz os mesmos efeitos que uma instalação localizada em outro contexto. As políticas industriais frequentemente tratam o consumo de água ou energia como um valor agregado e ignoram aspectos biogeográficos básicos: disponibilidade sazonal, conectividade hidrológica, espécies endêmicas, vulnerabilidade dos aquíferos e usos culturais do território.

    A mesma contradição aparece nos minerais críticos que alimentam dispositivos, baterias e redes. A extração de coltan e de outros minerais nas fronteiras amazônicas, assim como a exploração de lítio nos salares dos planaltos andinos, pode degradar ecossistemas frágeis, afetar fontes de água e intensificar conflitos com as comunidades locais. A precisão geográfica é fundamental: não se trata de afirmar que todos esses minerais são extraídos nos mesmos ambientes, mas de reconhecer que a infraestrutura digital conecta territórios distantes por meio de cadeias materiais cujos custos ecológicos permanecem ocultos.

    Os estudos realizados em áreas úmidas e salares de elevada altitude também mostram que cada bacia possui características hidrogeológicas e ecológicas específicas e não pode ser tratada como diretamente comparável a outros territórios ou projetos. A extração de lítio pode modificar os balanços hídricos, alterar as relações entre águas superficiais e subterrâneas e aumentar a pressão sobre ecossistemas que dependem de condições ambientais muito específicas (García-Sanz et al., 2021; Vera et al., 2023).

    Governança, Protocolo de Nagoya e soberania dos dados

    A digitalização pode transformar informações genéticas, registros de espécies, mapas ecológicos e conhecimentos tradicionais em ativos circuláveis. Esse processo levanta questões relacionadas à apropriação, à validação, à propriedade intelectual e à repartição de benefícios. Os dados relativos ao capital natural podem ser comercializados sem validação taxonômica? Quem autoriza sua utilização quando são originados em territórios administrados coletivamente? Como são reconhecidas as contribuições dos pesquisadores locais, das comunidades e dos responsáveis pelas coleções?

    O Protocolo de Nagoya fornece um marco para o acesso aos recursos genéticos, o consentimento prévio informado, as condições mutuamente acordadas e a repartição justa e equitativa dos benefícios decorrentes de sua utilização. Sua implementação é essencial para evitar que a digitalização reproduza formas extrativistas de bioprospecção. A circulação de sequências, modelos e bancos de dados, entretanto, cria desafios adicionais que exigem regulamentações nacionais, acordos comunitários e mecanismos de rastreabilidade adaptados ao ambiente digital (Convention on Biological Diversity, 2011).

    A soberania dos dados ambientais não pode ser reduzida ao armazenamento de informações em servidores nacionais. Ela exige a capacidade de produzir, interpretar, validar e proteger os dados, bem como de decidir sobre seus usos. Sem inventários biológicos, coleções científicas, taxonomistas, ecólogos de campo, infraestruturas públicas, conectividade territorial e comunidades com poder de decisão, a soberania digital se transforma em uma aspiração vazia. Conhecer o território é uma condição para conservá-lo; digitalizar sem conhecer pode reforçar as mesmas assimetrias que a digitalização pretende superar.

    América Latina e Colômbia: da abundância biológica à autonomia científica

    A América Latina ocupa uma posição central nesse debate em razão da diversidade de suas florestas tropicais úmidas, florestas secas, páramos, savanas, áreas úmidas, zonas costeiras, ambientes marinhos e sistemas de alta montanha, bem como da pluralidade cultural de seus territórios. Essa riqueza convive com o desmatamento, a mineração, a expansão urbana, a fragmentação, os conflitos relacionados à água e profundas desigualdades científicas e tecnológicas. A região não enfrenta uma escassez de vida, mas uma escassez relativa de informações interoperáveis, capacidades distribuídas e controle público sobre as infraestruturas que transformam a vida em dados.

    A Colômbia tem a oportunidade de construir uma agenda de inteligência ecológica situada. Essa agenda deveria começar pelo fortalecimento dos inventários, das coleções, do monitoramento de campo e da formação taxonômica; pela articulação entre universidades, institutos de pesquisa, comunidades, Estado e empresas; pelo desenvolvimento de infraestruturas públicas para dados biológicos; pela adoção de padrões interoperáveis; pela proteção dos conhecimentos tradicionais; e pela promoção de modelos computacionais validados nos ecossistemas do país.

    O objetivo não deve ser transformar a biodiversidade em uma nova matéria-prima digital, mas ampliar a autonomia necessária para compreender, cuidar e governar o território. A região pode deixar de ser apenas fornecedora de recursos e dados para se tornar produtora de seus próprios conhecimentos, tecnologias e decisões, desde que a inovação permaneça subordinada aos limites ecológicos, aos direitos coletivos e às responsabilidades públicas. A sequência é importante: primeiro o território, o inventário e a compreensão; depois, a automação.

    Conclusão

    A nova era digital está transformando a maneira como o capital natural é observado e administrado, mas não altera uma verdade fundamental: a vida não é um banco de dados e os ecossistemas não são dispositivos que podem ser simplesmente reiniciados. As tecnologias podem ampliar as capacidades de observação, acelerar as análises e apoiar os sistemas de alerta precoce; elas não podem substituir o trabalho de campo, a validação científica, a experiência territorial ou a deliberação ética.

    Uma inteligência ecológica digital responsável deve reconhecer a heterogeneidade biogeográfica, o valor intrínseco da natureza, os limites da automação, a necessidade de padrões comuns, a participação das comunidades e a pegada material da própria infraestrutura tecnológica. Também deve impedir que as informações biológicas sejam extraídas, comercializadas ou processadas sem consentimento, rastreabilidade e repartição justa dos benefícios.

    O principal perigo do reducionismo digital consiste em imaginar a natureza como um simples “Ctrl + Z”: um sistema no qual todos os danos poderiam ser desfeitos por meio de dados, restauração automatizada ou compensações. Essa ilusão tecnocrática ignora a irreversibilidade, os limiares ecológicos e a singularidade de cada território. A tarefa do século XXI não consiste em digitalizar a biodiversidade até torná-la abstrata, mas em governar a tecnologia a partir da vida, do território e de seus limites ecológicos.

    Referências

    Anderson, K., Brewin, R. J. W., Mleczko, M. M., Mueller, M., Shutler, J. D., Wilkinson, R., Yan, X., & Gaston, K. J. (2024). The dark side of Earth observation. Nature Sustainability, 7(3), 224–227. https://doi.org/10.1038/s41893-023-01262-x

    Bloom, D. A., Zermoglio, P., & Guralnick, R. (2021). Analysis of biodiversity data needs in the post-2020 framework. GBIF Secretariat. https://doi.org/10.35035/doc-2ph8-0403

    Cañas, J. S., Parra-Guevara, C., Montoya-Castrillón, M., Ramírez-Mejía, J. M., Perilla, G. A., Marentes, E., Leuro, N., Sandoval-Sierra, J. V., Martínez-Callejas, S., Díaz, A., Murcia, M., Noguera-Urbano, E. A., Ochoa-Quintero, J. M., Rodríguez Buriticá, S., & Ulloa, J. S. (2025). Inteligencia artificial para la conservación y uso sostenible de la biodiversidad: Una visión desde Colombia [Preprint]. arXiv. https://doi.org/10.48550/arXiv.2503.14543

    Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe. (2024, 2 de fevereiro). Brechas de conectividad como factor de exclusión. Observatorio de Desarrollo Digital. https://desarrollodigital.cepal.org/es/datos-y-hechos/brechas-de-conectividad-como-factor-de-exclusion

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    Convention on Biological Diversity. (2022). Decision 15/4: Kunming-Montreal Global Biodiversity Framework. https://www.cbd.int/doc/decisions/cop-15/cop-15-dec-04-en.pdf

    García-Sanz, I., Heine-Fuster, I., Luque, J. A., Pizarro, H., Castillo, R., Pailahual, M., Prieto, M., Pérez-Portilla, P., & Aránguiz-Acuña, A. (2021). Limnological response from high-altitude wetlands to the water supply in the Andean Altiplano. Scientific Reports, 11, Article 7681. https://doi.org/10.1038/s41598-021-87162-6

    Global Biodiversity Information Facility. (2020). Improving biodiversity data quality in Latin America: Documenting best practices across data workflows and life cycles [Projeto]. https://www.gbif.org/project/5JJH6ZKCjztKrqT50OAadQ/improving-biodiversity-data-quality-in-latin-america-documenting-best-practices-across-data-workflows-and-life-cycles

    Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services. (2022). Summary for policymakers of the methodological assessment report on the diverse values and valuation of nature of the Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services (U. Pascual, P. Balvanera, M. Christie, B. Baptiste, D. González-Jiménez, C. B. Anderson, S. Athayde, R. Chaplin-Kramer, S. Jacobs, E. Kelemen, R. Kumar, E. Lazos, A. Martin, T. H. Mwampamba, B. Nakangu, P. O’Farrell, C. M. Raymond, S. M. Subramanian, M. Termansen, … A. Vatn, Eds.). IPBES Secretariat. https://doi.org/10.5281/zenodo.6522392

    Taskforce on Nature-related Financial Disclosures. (2023a). Guidance on the identification and assessment of nature-related issues: The LEAP approach (Version 1.1). https://tnfd.global/publication/additional-guidance-on-assessment-of-nature-related-issues-the-leap-approach/

    Taskforce on Nature-related Financial Disclosures. (2023b). Guidance on engagement with Indigenous Peoples, Local Communities and affected stakeholders (Version 1.0). https://tnfd.global/publication/guidance-on-engagement-with-indigenous-peoples-local-communities-and-affected-stakeholders/

    Vera, M. L., Torres, W. R., Galli, C. I., Chagnes, A., & Flexer, V. (2023). Environmental impact of direct lithium extraction from brines. Nature Reviews Earth & Environment, 4, 149–165. https://doi.org/10.1038/s43017-022-00387-5

    World Economic Forum. (2025). Nature positive: Role of the technology sector. World Economic Forum. https://www.weforum.org/publications/nature-positive-role-of-the-technology-sector/

  • Capital naturel et biodiversité à l’ère numérique: vers une intelligence écologique pour le XXIe siècle

    Introduction

    La crise contemporaine du capital naturel exige de nouvelles formes de compréhension, de gestion et d’action collective. Dans cet article, le capital naturel est défini comme l’ensemble des composantes biotiques et abiotiques qui soutiennent la vie et les processus écologiques, tandis que la biodiversité désigne plus précisément la variété des gènes, des espèces, des communautés et des écosystèmes qui le composent. Bien que ces deux notions soient étroitement liées, elles ne sont pas équivalentes : la biodiversité constitue une dimension fondamentale du capital naturel et possède, outre ses fonctions écologiques et sociales, une valeur intrinsèque qui ne dépend pas exclusivement de son utilité économique.

    Dans ce cadre, l’expression infrastructure vivante désigne l’ensemble des systèmes écologiques qui soutiennent des processus territoriaux tels que la régulation de l’eau, la formation des sols, la pollinisation, la connectivité écologique, l’approvisionnement alimentaire, la stabilité climatique et la reproduction culturelle des communautés. Cette infrastructure ne se manifeste pas de manière uniforme. Le biote présente des formes, des densités, des relations et des vulnérabilités différentes dans les forêts tropicales humides, les forêts sèches, les páramos, les zones humides, les littoraux, les milieux marins, les savanes, les déserts et les systèmes urbains. Toute stratégie numérique doit donc reconnaître l’expression différenciée de la vie selon les grands contextes écologiques de la planète et éviter d’appliquer une même grille, un même indicateur ou un même modèle comme si tous les territoires étaient comparables.

    L’étude de la nature utilise des technologies depuis plusieurs décennies. La cartographie, la photographie aérienne, la télédétection, les bases de données, les systèmes d’information géographique, la télémétrie et la modélisation écologique font partie de la pratique scientifique contemporaine. La nouveauté de l’ère numérique ne réside donc pas dans la numérisation de ce qui était auparavant entièrement analogique, mais dans l’automatisation de la collecte, de la classification, de l’intégration et de l’interprétation de grandes quantités d’informations. L’intelligence artificielle, les capteurs à distance, l’ADN environnemental, la bioacoustique automatisée, les jumeaux numériques et les plateformes de rapport élargissent les échelles spatiales et temporelles de l’observation, mais introduisent également de nouveaux biais, de nouvelles dépendances technologiques et des difficultés d’interprétation.

    Un paradoxe déterminant apparaît en Amérique latine : la région possède une richesse biologique extraordinaire, mais une grande partie de ses informations demeure dispersée, non numérisée, affectée par des lacunes taxonomiques, une faible interopérabilité et un accès inégal. Ces écarts se manifestent entre les zones urbaines et rurales, entre les institutions disposant de capacités financières différentes, entre les écosystèmes intensément surveillés et les territoires éloignés, ainsi qu’entre les langues dominantes et les savoirs locaux qui ne trouvent pas toujours leur place dans les plateformes numériques. La démocratisation de l’information biotique exige donc de la connectivité, des infrastructures publiques, une formation spécialisée, des normes communes, la reconnaissance des auteurs et des mécanismes de protection des données sensibles (Commission économique pour l’Amérique latine et les Caraïbes [CEPALC], 2024).

    Ces tensions soulèvent des questions incontournables : qui contrôle les données relatives au capital naturel ? Qui décide de ce qui doit être mesuré et à quelle échelle ? Comment empêcher que la nature soit réduite à des indicateurs financiers ? Les limites biogéographiques, humaines et écologiques sont-elles respectées lorsque la vie est représentée au moyen de grilles numériques ? Que devient la notion d’unité minimale cartographiable lorsque les algorithmes agrègent ou simplifient des territoires hétérogènes ? Quelle place est accordée aux communautés locales, aux peuples autochtones et aux savoirs territoriaux ? Ces questions ne remettent pas en cause l’utilisation de la technologie elle-même ; elles contestent plutôt l’idée selon laquelle l’automatisation équivaudrait nécessairement à la compréhension.

    De la caractérisation territoriale à une intelligence écologique assistée

    La conservation de la biodiversité s’est historiquement appuyée sur les inventaires biologiques, les collections scientifiques, les aires protégées, la restauration écologique, le suivi des populations et la réglementation environnementale. Ces stratégies restent indispensables. Avant d’automatiser, il est nécessaire de connaître le territoire : le parcourir, le décrire, identifier les espèces, enregistrer les interactions, comprendre les cycles écologiques et confronter les données à l’expérience de ceux qui l’habitent. Aucun algorithme ne peut remplacer le travail de terrain, la validation taxonomique ou l’interprétation située du chercheur.

    La modernisation scientifique exige des méthodes statistiques explicites, une traçabilité et des décisions fondées sur des données probantes. Cette exigence ne doit cependant pas se faire au détriment de la caractérisation de base. Les modèles dépendent des données sources, et les données dépendent d’observations réalisées dans des conditions précises. Lorsque les échantillons sont rares, géographiquement biaisés ou issus de catégories mal définies, l’automatisation ne supprime pas le problème : elle l’amplifie et lui confère une apparence de précision.

    Dans ce contexte, l’intelligence écologique numérique ne doit pas être comprise comme une qualité autonome des machines, mais comme une capacité humaine, scientifique et institutionnelle soutenue par des outils informatiques. Les systèmes généralement qualifiés d’intelligence artificielle sont entraînés à reconnaître des régularités, classer des enregistrements ou estimer des probabilités. Ils peuvent imiter certaines opérations cognitives, mais ils ne possèdent pas la compréhension biologique, historique, éthique et territoriale qui oriente la recherche écologique. Leur fonction doit être d’assister, et non de remplacer.

    Ces outils peuvent contribuer à l’identification des espèces, à l’analyse d’images et de sons, à la détection des changements dans l’occupation des sols, à la modélisation de la répartition des espèces et à la production d’alertes précoces. Leurs résultats doivent toutefois être soumis à une validation sur le terrain, à une analyse de l’incertitude, à une évaluation des biais et à un examen de leur transférabilité entre les régions. Un modèle entraîné dans une forêt humide, à partir d’une collection urbaine ou d’un ensemble d’espèces bien documentées ne peut pas être automatiquement extrapolé à d’autres contextes. L’intelligence écologique résulte de l’articulation entre les données, les connaissances naturalistes, les méthodes quantitatives, l’expérience territoriale et la délibération publique (Cañas et al., 2025).

    Le capital naturel comme système d’information, et non comme marchandise

    À l’ère numérique, les signaux des écosystèmes peuvent être transformés en données : images, sons, séquences génétiques, relevés de présence, variables climatiques, propriétés des sols, flux hydriques et changements de la végétation. Les capteurs, les satellites, les drones, les pièges photographiques, l’ADN environnemental et les plateformes géospatiales permettent de construire des couches d’information autrefois difficiles à intégrer. Les données ne sont cependant pas la nature ; elles en sont des représentations partielles, produites à partir de décisions relatives à l’échelle, à l’échantillonnage, à la résolution, aux catégories et aux méthodes de validation.

    Cette distinction est importante, car le capital naturel ne peut être réduit à un ensemble d’actifs, de risques ou d’opportunités. La vie possède des valeurs intrinsèques, relationnelles, culturelles et écologiques qui ne sont ni ordinales ni entièrement interchangeables. Une espèce endémique, une zone humide sacrée, un corridor biologique ou une relation écologique ne peuvent être automatiquement remplacés par des mécanismes de compensation comptable. La reconnaissance des impacts et des dépendances des entreprises peut être utile, mais elle ne doit pas écarter le droit des écosystèmes à perdurer ni les obligations collectives de protection (Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services [IPBES], 2022).

    L’approche LEAP élaborée par la Taskforce on Nature-related Financial Disclosures peut aider les organisations à localiser, évaluer, analyser et préparer des réponses aux enjeux liés à la nature. Son application exige toutefois une consultation significative, une participation précoce et une gouvernance des données. L’appliquer dans des territoires autochtones ou communautaires sans consentement, sans accord sur la propriété et l’utilisation de l’information ou sans mécanisme de partage des avantages peut transformer la surveillance en une forme d’extractivisme des données. Les orientations de la TNFD reconnaissent elles-mêmes que la participation des peuples autochtones, des communautés locales et des parties prenantes concernées doit être intégrée à l’ensemble du processus d’évaluation, et non limitée à une validation ultérieure (Taskforce on Nature-related Financial Disclosures [TNFD], 2023a, 2023b).

    Des technologies anticipatrices soumises à des limites écologiques et à des normes communes

    L’une des principales possibilités offertes par l’automatisation réside dans le renforcement d’une gestion anticipatrice. Au lieu d’intervenir uniquement après la survenue des dommages, les outils numériques peuvent détecter des signes précoces de déforestation, de fragmentation, de disparition d’espèces, d’altération hydrologique, d’incendies, de pollution ou de changements phénologiques. Ces capacités peuvent soutenir les gouvernements, les universités, les communautés et les organisations, à condition que les systèmes d’alerte précoce soient liés à des décisions, à des ressources et à des responsabilités concrètes.

    L’utilité de ces outils dépend de la qualité, de la représentativité et de la comparabilité des données. L’Amérique latine reste encore loin d’une interopérabilité complète : des documents non numérisés subsistent, les normes sont appliquées de manière inégale, les métadonnées sont incomplètes, les lacunes géographiques et taxonomiques demeurent, et l’intégration d’informations provenant de différents pays, institutions et écosystèmes reste difficile. Les plateformes mondiales ont contribué à mobiliser les données, mais elles ne corrigent pas à elles seules les biais des sources et ne garantissent pas la validation nomenclaturale et écologique (Global Biodiversity Information Facility [GBIF], 2020 ; Bloom et al., 2021).

    L’agenda régional devrait progresser vers des protocoles d’échantillonnage comparables, des vocabulaires contrôlés, des identifiants persistants, des métadonnées complètes, des collections de référence, une validation taxonomique, l’interopérabilité des systèmes et un accès multilingue. La démocratisation ne signifie pas une publication sans restriction. La localisation de certaines espèces menacées, les savoirs traditionnels ou les données génétiques exigent des niveaux d’accès différenciés. L’ouverture doit être associée à la protection, à l’attribution, au consentement et à la responsabilité.

    Une nature positive : un horizon politique, et non une garantie technologique

    Le concept de nature positive propose d’enrayer et d’inverser la perte de biodiversité, de restaurer les écosystèmes et de réorganiser les activités économiques afin qu’elles ne détruisent pas les fondements écologiques dont elles dépendent. En tant qu’horizon politique, il peut mobiliser des actions pertinentes, mais il devient problématique lorsqu’il est présenté de manière déterministe, comme si la technologie pouvait inverser unilatéralement des processus complexes ou restaurer n’importe quel système dégradé.

    Les écosystèmes répondent à des seuils, à des dépendances historiques, à des interactions non linéaires et à des périodes de récupération qui ne correspondent pas nécessairement aux cycles de l’investissement ou des politiques publiques. Certaines pertes sont irréversibles ; d’autres nécessitent plusieurs décennies et ne peuvent être compensées par une augmentation équivalente ailleurs. La notion de nature positive ne prend donc un sens opérationnel que lorsqu’elle est associée à des inventaires, à des situations de référence, à des zones témoins, à des limites écologiques, à un suivi continu, à une vérification sur le terrain, à la participation communautaire et à une gestion adaptative.

    Le Cadre mondial de la biodiversité de Kunming-Montréal a établi quatre objectifs pour 2050 et 23 cibles d’action pour 2030, accompagnés d’un cadre de suivi destiné à orienter sa mise en œuvre. Sa portée ne doit pas être interprétée comme une autorisation de simplifier la nature en un tableau de bord d’indicateurs, mais comme une invitation à renforcer les capacités scientifiques, institutionnelles et sociales nécessaires à la conservation, à la restauration et à l’utilisation durable de la biodiversité (Convention on Biological Diversity [CBD], 2022). La mesure est nécessaire, mais elle ne peut remplacer la délibération sur ce qui doit être protégé, pour qui et dans quelles limites.

    L’empreinte matérielle et biogéographique du numérique

    Tout ce qui est numérique n’est pas nécessairement durable sur le plan écologique. Les infrastructures technologiques consomment de l’énergie, de l’eau, des minéraux, des terres et des matériaux ; elles produisent des déchets électroniques et nécessitent des réseaux de stockage et de traitement dont l’empreinte reste souvent invisible pour les utilisateurs. Même l’observation de la Terre génère des impacts liés aux satellites, aux centres de données, à la transmission, au stockage et au traitement informatique en nuage (Anderson et al., 2024). L’expansion du secteur technologique accroît également la dépendance à l’égard de l’énergie, de l’eau, des minéraux critiques et des infrastructures physiques, ce qui peut exercer des pressions supplémentaires sur les écosystèmes (World Economic Forum, 2025).

    Ces empreintes ne sont pas équivalentes d’un territoire à l’autre. Un centre de données implanté dans une région soumise à un stress hydrique, caractérisée par une forte sensibilité écologique ou dépendante d’un bouquet énergétique à forte intensité carbone ne produit pas les mêmes effets qu’une installation située dans un autre contexte. Les politiques industrielles traitent souvent la consommation d’eau ou d’énergie comme une valeur agrégée et négligent la biogéographie élémentaire : disponibilité saisonnière, connectivité hydrologique, espèces endémiques, vulnérabilité des aquifères et usages culturels du territoire.

    La même contradiction apparaît dans les minéraux critiques qui alimentent les dispositifs, les batteries et les réseaux. L’extraction du coltan et d’autres minerais dans les zones frontalières de l’Amazonie, ainsi que l’exploitation du lithium dans les salars des hauts plateaux andins, peuvent dégrader des écosystèmes fragiles, affecter les sources d’eau et intensifier les conflits avec les communautés locales. La précision géographique est essentielle : il ne s’agit pas d’affirmer que tous ces minerais sont extraits dans les mêmes environnements, mais de reconnaître que les infrastructures numériques relient des territoires éloignés par l’intermédiaire de chaînes matérielles dont les coûts écologiques restent dissimulés.

    Les études menées dans les zones humides et les salars de haute altitude montrent en outre que chaque bassin possède des caractéristiques hydrogéologiques et écologiques particulières et qu’il ne peut être directement comparé à d’autres territoires ou projets. L’extraction du lithium peut modifier les bilans hydriques, altérer les relations entre les eaux de surface et les eaux souterraines et accroître les pressions exercées sur des écosystèmes dépendant de conditions environnementales très spécifiques (García-Sanz et al., 2021 ; Vera et al., 2023).

    Gouvernance, Protocole de Nagoya et souveraineté des données

    La numérisation peut transformer les informations génétiques, les relevés d’espèces, les cartes écologiques et les savoirs traditionnels en actifs susceptibles de circuler. Ce processus soulève des questions relatives à l’appropriation, à la validation, à la propriété intellectuelle et au partage des avantages. Les données relatives au capital naturel peuvent-elles être commercialisées sans validation taxonomique ? Qui autorise leur utilisation lorsqu’elles proviennent de territoires administrés collectivement ? Comment reconnaître les contributions des chercheurs locaux, des communautés et des responsables de collections ?

    Le Protocole de Nagoya fournit un cadre pour l’accès aux ressources génétiques, le consentement préalable donné en connaissance de cause, les conditions convenues d’un commun accord et le partage juste et équitable des avantages découlant de leur utilisation. Sa mise en œuvre est essentielle pour empêcher que la numérisation ne reproduise des formes extractives de bioprospection. La circulation des séquences, des modèles et des bases de données crée toutefois des difficultés supplémentaires qui nécessitent des réglementations nationales, des accords communautaires et des mécanismes de traçabilité adaptés à l’environnement numérique (Convention on Biological Diversity, 2011).

    La souveraineté des données environnementales ne peut se limiter au stockage des informations sur des serveurs nationaux. Elle exige la capacité de produire, d’interpréter, de valider et de protéger les données, ainsi que de décider de leurs utilisations. Sans inventaires biologiques, collections scientifiques, taxonomistes, écologues de terrain, infrastructures publiques, connectivité territoriale et communautés disposant d’un pouvoir de décision, la souveraineté numérique devient une aspiration vide. Connaître le territoire constitue une condition préalable à sa conservation ; numériser sans connaître peut renforcer les mêmes asymétries que la numérisation prétend dépasser.

    Amérique latine et Colombie : de l’abondance biologique à l’autonomie scientifique

    L’Amérique latine occupe une place centrale dans ce débat en raison de la diversité de ses forêts tropicales humides, de ses forêts sèches, de ses páramos, de ses savanes, de ses zones humides, de ses littoraux, de ses milieux marins et de ses systèmes de haute montagne, ainsi que de la pluralité culturelle de ses territoires. Cette richesse coexiste avec la déforestation, l’exploitation minière, l’expansion urbaine, la fragmentation, les conflits liés à l’eau et de profondes inégalités scientifiques et technologiques. La région ne souffre pas d’un manque de vie, mais plutôt d’un manque relatif d’informations interopérables, de capacités réparties sur les territoires et de contrôle public sur les infrastructures qui transforment la vie en données.

    La Colombie a la possibilité de construire un programme d’intelligence écologique ancré dans son territoire. Un tel programme devrait commencer par renforcer les inventaires, les collections, le suivi de terrain et la formation taxonomique ; articuler les universités, les instituts de recherche, les communautés, l’État et les entreprises ; développer des infrastructures publiques pour les données biologiques ; adopter des normes interopérables ; protéger les savoirs traditionnels ; et promouvoir des modèles informatiques validés dans les écosystèmes du pays.

    L’objectif ne doit pas être de transformer la biodiversité en une nouvelle matière première numérique, mais d’accroître l’autonomie nécessaire pour comprendre, protéger et gouverner le territoire. La région peut passer du statut de fournisseur de ressources et de données à celui de producteur de ses propres connaissances, technologies et décisions, à condition que l’innovation demeure subordonnée aux limites écologiques, aux droits collectifs et aux responsabilités publiques. L’ordre des étapes est important : d’abord le territoire, l’inventaire et la compréhension ; ensuite l’automatisation.

    Conclusion

    L’ère numérique transforme la manière dont le capital naturel est observé et géré, mais elle ne modifie pas une vérité fondamentale : la vie n’est pas une base de données et les écosystèmes ne sont pas des dispositifs que l’on peut simplement redémarrer. Les technologies peuvent élargir les capacités d’observation, accélérer les analyses et soutenir les systèmes d’alerte précoce ; elles ne peuvent remplacer le travail de terrain, la validation scientifique, l’expérience territoriale ou la délibération éthique.

    Une intelligence écologique numérique responsable doit reconnaître l’hétérogénéité biogéographique, la valeur intrinsèque de la nature, les limites de l’automatisation, la nécessité de normes communes, la participation des communautés et l’empreinte matérielle des infrastructures technologiques elles-mêmes. Elle doit également empêcher que les informations biologiques soient extraites, commercialisées ou traitées sans consentement, sans traçabilité et sans partage équitable des avantages.

    Le principal danger du réductionnisme numérique consiste à imaginer la nature comme un simple « Ctrl + Z » : un système dans lequel tout dommage pourrait être annulé grâce aux données, à la restauration automatisée ou à la compensation. Cette illusion technocratique ignore l’irréversibilité, les seuils écologiques et la singularité de chaque territoire. La tâche du XXIe siècle ne consiste pas à numériser la biodiversité jusqu’à la rendre abstraite, mais à gouverner la technologie à partir de la vie, du territoire et de leurs limites écologiques.

    Références

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  • Natural Capital and Biodiversity in the New Digital Era: Toward Ecological Intelligence for the Twenty-First Century

    Introduction

    The contemporary crisis of natural capital demands new forms of understanding, management, and collective action. In this article, natural capital is understood as the set of biotic and abiotic components that sustain life and ecological processes, while biodiversity refers specifically to the variety of genes, species, communities, and ecosystems that comprise it. Although the two concepts are closely related, they are not equivalent: biodiversity is a central dimension of natural capital and possesses, in addition to its ecological and social functions, an intrinsic value that does not depend exclusively on its economic usefulness.

    Within this framework, the term living infrastructure refers to the set of ecological systems that sustain territorial processes such as water regulation, soil formation, pollination, ecological connectivity, food provision, climate stability, and the cultural reproduction of communities. This infrastructure does not manifest itself uniformly. Biota assumes different forms, densities, relationships, and vulnerabilities across tropical rainforests, dry forests, páramos, wetlands, coastlines, marine environments, savannas, deserts, and urban systems. Any digital strategy must therefore recognize the differential expression of life across the planet’s major ecological settings and avoid applying the same grid, indicator, or model as though all territories were comparable.

    The study of nature has relied on technology for decades. Cartography, aerial photography, remote sensing, databases, geographic information systems, telemetry, and ecological modeling are all part of contemporary scientific practice. The novelty of the new digital era does not therefore lie in digitizing what was previously entirely analog, but in automating the capture, classification, integration, and interpretation of large volumes of information. Artificial intelligence, remote sensors, environmental DNA, automated bioacoustics, digital twins, and reporting platforms expand the spatial and temporal scales of observation, but they also introduce new biases, technological dependencies, and interpretive challenges.

    A decisive paradox emerges in Latin America: the region contains extraordinary biological richness, yet much of its information remains dispersed, undigitized, affected by taxonomic gaps, characterized by limited interoperability, and marked by unequal access. These disparities are evident between urban and rural areas, between institutions with different financial capacities, between intensively monitored ecosystems and remote territories, and between dominant languages and local knowledge that does not always find a place within digital platforms. Democratizing biotic information therefore requires connectivity, public infrastructure, specialized training, common standards, recognition of authorship, and protection mechanisms for sensitive data (Economic Commission for Latin America and the Caribbean [ECLAC], 2024).

    These tensions raise unavoidable questions: Who controls natural capital data? Who decides what is measured and at what scale? How can nature be prevented from being reduced to financial indicators? Are biogeographical, human, and ecological boundaries respected when life is represented through digital grids? What happens to the concept of the minimum mapping unit when algorithms aggregate or simplify heterogeneous territories? What role is assigned to local communities, Indigenous Peoples, and territorial knowledge? These questions do not challenge the use of technology itself; rather, they challenge the assumption that automation necessarily amounts to understanding.

    From Territorial Characterization to Assisted Ecological Intelligence

    Biodiversity conservation has historically relied on biological inventories, scientific collections, protected areas, ecological restoration, population monitoring, and environmental regulation. These strategies remain essential. Before automating, it is necessary to know the territory: to visit it, describe it, identify species, record interactions, understand ecological cycles, and compare data with the experience of those who inhabit it. No algorithm can replace fieldwork, taxonomic validation, or the situated interpretation of the researcher.

    Scientific modernization requires explicit statistical methods, traceability, and evidence-based decision-making. Nevertheless, this requirement should not come at the expense of basic characterization. Models depend on source data, and data depend on observations made under specific conditions. When samples are scarce, geographically biased, or derived from poorly defined categories, automation does not eliminate the problem; it amplifies it and gives it an appearance of precision.

    Within this context, digital ecological intelligence should not be understood as an autonomous quality of machines, but as a human, scientific, and institutional capacity supported by computational tools. Systems commonly referred to as artificial intelligence are trained to recognize patterns, classify records, or estimate probabilities. They may emulate certain cognitive operations, but they do not possess the biological, historical, ethical, and territorial understanding that guides ecological research. Their role should be to assist, not replace.

    These tools can support species identification, image and sound analysis, detection of land-cover changes, species-distribution modeling, and the generation of early warnings. Their results, however, must be subjected to field validation, uncertainty analysis, bias assessment, and evaluation of transferability across regions. A model trained in a humid forest, an urban collection, or a group of well-documented species cannot automatically be extrapolated to other contexts. Ecological intelligence emerges from the articulation of data, natural history knowledge, quantitative methods, territorial experience, and public deliberation (Cañas et al., 2025).

    Natural Capital as an Information System, Not as a Commodity

    In the digital era, ecosystem signals can be transformed into data: images, sounds, genetic sequences, occurrence records, climatic variables, soil properties, water flows, and vegetation changes. Sensors, satellites, drones, camera traps, environmental DNA, and geospatial platforms make it possible to construct layers of information that were previously difficult to integrate. Nevertheless, data are not nature; they are partial representations produced through decisions concerning scale, sampling, resolution, categories, and validation methods.

    This distinction is important because natural capital cannot be reduced to a collection of assets, risks, or opportunities. Life possesses intrinsic, relational, cultural, and ecological values that are neither ordinal nor fully interchangeable. An endemic species, a sacred wetland, a biological corridor, or an ecological relationship cannot be automatically replaced through accounting-based compensation. Recognizing corporate impacts and dependencies may be useful, but it should not displace the right of ecosystems to persist or collective obligations of care (Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services [IPBES], 2022).

    The LEAP approach developed by the Taskforce on Nature-related Financial Disclosures can help organizations locate, evaluate, assess, and prepare responses to nature-related issues. Its application, however, requires meaningful consultation, early participation, and data governance. Applying it in Indigenous or community territories without consent, without agreements concerning ownership and use of information, or without benefit-sharing mechanisms may turn monitoring into a form of data extractivism. TNFD guidance itself recognizes that engagement with Indigenous Peoples, local communities, and affected stakeholders should be embedded throughout the assessment process rather than limited to subsequent validation (Taskforce on Nature-related Financial Disclosures [TNFD], 2023a, 2023b).

    Anticipatory Technologies with Ecological Limits and Common Standards

    One of the most significant possibilities offered by automation is the strengthening of anticipatory management. Rather than intervening only after damage has occurred, digital tools can detect early signs of deforestation, fragmentation, species loss, hydrological alteration, fires, pollution, or phenological change. These capabilities can support governments, universities, communities, and organizations, provided that early-warning systems are connected to concrete decisions, resources, and responsibilities.

    The usefulness of these tools depends on the quality, representativeness, and comparability of the data. Latin America remains far from achieving full interoperability: undigitized records persist, standards are applied unevenly, metadata are incomplete, geographical and taxonomic gaps remain, and information from different countries, institutions, and ecosystems is difficult to integrate. Global platforms have helped mobilize data, but they do not by themselves correct source biases or guarantee nomenclatural and ecological validation (Global Biodiversity Information Facility [GBIF], 2020; Bloom et al., 2021).

    The regional agenda should move toward comparable sampling protocols, controlled vocabularies, persistent identifiers, complete metadata, reference collections, taxonomic validation, system interoperability, and multilingual access. Democratization does not mean indiscriminate publication. Some locations of threatened species, traditional knowledge, or genetic data require differentiated levels of access. Openness must be combined with protection, attribution, consent, and accountability.

    Nature Positive: A Political Horizon, Not a Technological Guarantee

    The concept of nature positive proposes halting and reversing biodiversity loss, restoring ecosystems, and reorganizing economic activities so that they do not destroy the ecological foundations on which they depend. As a political horizon, it may mobilize relevant action, but it becomes problematic when presented deterministically, as though technology could unilaterally reverse complex processes or restore any degraded system.

    Ecosystems respond to thresholds, historical dependencies, nonlinear interactions, and recovery periods that do not necessarily correspond to investment or public-policy cycles. Some losses are irreversible; others require decades and cannot be compensated for by an equivalent increase elsewhere. The notion of nature positive therefore becomes operationally meaningful only when connected to inventories, baselines, reference areas, ecological limits, continuous monitoring, field verification, community participation, and adaptive management.

    The Kunming-Montreal Global Biodiversity Framework established four goals for 2050 and 23 action targets for 2030, accompanied by a monitoring framework to guide implementation. Its scope should not be interpreted as permission to simplify nature into a dashboard of indicators, but as an invitation to strengthen the scientific, institutional, and social capacities required to conserve, restore, and sustainably use biodiversity (Convention on Biological Diversity [CBD], 2022). Measurement is necessary, but it cannot replace deliberation about what should be protected, for whom, and within what limits.

    The Material and Biogeographical Footprint of Digital Technology

    Not everything digital is ecologically sustainable. Technological infrastructure consumes energy, water, minerals, land, and materials; generates electronic waste; and requires storage and processing networks whose footprint often remains invisible to users. Even Earth observation produces impacts associated with satellites, data centers, transmission, storage, and cloud computing (Anderson et al., 2024). The expansion of the technology sector also increases dependence on energy, water, critical minerals, and physical infrastructure, potentially creating additional pressures on ecosystems (World Economic Forum, 2025).

    These footprints are not territorially equivalent. A data center located in a region affected by water stress, high ecosystem sensitivity, or a carbon-intensive energy matrix does not produce the same impacts as a facility located in a different context. Industrial policy frequently treats water or energy consumption as an aggregate figure and overlooks basic biogeography: seasonal availability, hydrological connectivity, endemic species, aquifer vulnerability, and cultural uses of territory.

    The same contradiction appears in the critical minerals that support devices, batteries, and networks. The extraction of coltan and other minerals along Amazonian frontiers, as well as lithium extraction in high-Andean salt flats, may degrade fragile ecosystems, affect water sources, and intensify conflicts with local communities. Geographical precision is essential: the point is not to claim that all these minerals are extracted from the same environments, but to recognize that digital infrastructure connects distant territories through material supply chains whose ecological costs remain concealed.

    Studies conducted in high-Andean wetlands and salt-flat environments also show that each basin has specific hydrogeological and ecological characteristics and cannot be treated as directly comparable with other territories or projects. Lithium extraction may alter water balances, modify relationships between surface water and groundwater, and increase pressure on ecosystems that depend on highly specific environmental conditions (García-Sanz et al., 2021; Vera et al., 2023).

    Governance, the Nagoya Protocol, and Data Sovereignty

    Digitization can turn genetic information, species records, ecological maps, and traditional knowledge into circulating assets. This process raises questions concerning appropriation, validation, intellectual property, and benefit sharing. Can natural capital data be commercialized without taxonomic validation? Who authorizes their use when they originate in collectively governed territories? How are the contributions of local researchers, communities, and collection custodians recognized?

    The Nagoya Protocol provides a framework for access to genetic resources, prior informed consent, mutually agreed terms, and the fair and equitable sharing of benefits arising from their utilization. Its implementation is essential to prevent digitization from reproducing extractive forms of bioprospecting. The circulation of sequences, models, and databases, however, creates additional challenges that require national regulations, community agreements, and traceability mechanisms adapted to the digital environment (Convention on Biological Diversity, 2011).

    Environmental data sovereignty cannot be reduced to storing information on national servers. It requires the capacity to produce, interpret, validate, protect, and make decisions about the use of data. Without biological inventories, scientific collections, taxonomists, field ecologists, public infrastructure, territorial connectivity, and communities with decision-making power, digital sovereignty becomes an empty aspiration. Knowing the territory is a condition for conserving it; digitizing without knowing may reinforce the same asymmetries that digitization is intended to overcome.

    Latin America and Colombia: From Biological Abundance to Scientific Autonomy

    Latin America occupies a central place in this debate because of the diversity of its rainforests, dry forests, páramos, savannas, wetlands, coastlines, marine environments, and high-mountain systems, as well as the cultural plurality of its territories. This richness coexists with deforestation, mining, urban expansion, fragmentation, water conflicts, and profound scientific and technological inequalities. The region does not face a shortage of life, but rather a relative shortage of interoperable information, distributed capacities, and public control over the infrastructures that transform life into data.

    Colombia has an opportunity to build a situated agenda for ecological intelligence. Such an agenda should begin by strengthening inventories, collections, field monitoring, and taxonomic training; articulating universities, research institutes, communities, the state, and businesses; developing public infrastructure for biological data; adopting interoperable standards; protecting traditional knowledge; and promoting computational models validated within the country’s ecosystems.

    The objective should not be to transform biodiversity into a new digital raw material, but to increase autonomy in understanding, caring for, and governing territory. The region can move from being a provider of resources and data to becoming a producer of its own knowledge, technology, and decisions, provided that innovation remains subordinate to ecological limits, collective rights, and public responsibilities. The sequence matters: first territory, inventory, and understanding; then automation.

    Conclusion

    The new digital era is transforming the way natural capital is observed and managed, but it does not alter a fundamental truth: life is not a database, and ecosystems are not devices that can simply be restarted. Technologies can expand observation, accelerate analysis, and support early-warning systems; they cannot replace fieldwork, scientific validation, territorial experience, or ethical deliberation.

    Responsible digital ecological intelligence must recognize biogeographical heterogeneity, the intrinsic value of nature, the limits of automation, the need for common standards, community participation, and the material footprint of technological infrastructure itself. It must also prevent biological information from being extracted, commercialized, or processed without consent, traceability, and fair benefit sharing.

    The main danger of digital reductionism is the tendency to imagine nature as a simple “Ctrl + Z”: a system in which all damage could be undone through data, automated restoration, or compensation. This technocratic illusion disregards irreversibility, ecological thresholds, and the uniqueness of each territory. The task of the twenty-first century is not to digitize biodiversity until it becomes abstract, but to govern technology from the standpoint of life, territory, and ecological limits.

    References

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    Vera, M. L., Torres, W. R., Galli, C. I., Chagnes, A., & Flexer, V. (2023). Environmental impact of direct lithium extraction from brines. Nature Reviews Earth & Environment, 4, 149–165. https://doi.org/10.1038/s43017-022-00387-5

    World Economic Forum. (2025). Nature positive: Role of the technology sector. World Economic Forum. https://www.weforum.org/publications/nature-positive-role-of-the-technology-sector/

  • Ciudades del futuro: la propuesta urbanística sostenible de Vincent Callebaut y su aplicación en América Latina

    En América Latina, el crecimiento urbano acelerado ha generado profundos desafíos en materia de contaminación, sobrepoblación, movilidad ineficiente y escasez de espacios verdes. Estos problemas, sumados a los retos sociales, económicos y de infraestructura, demandan un replanteamiento integral del diseño urbano para orientar las ciudades hacia un modelo más sostenible y resiliente. Frente a este panorama, resulta imperativo explorar soluciones innovadoras que permitan transformar las metópolis del futuro. En este contexto, la visión del arquitecto belga Vincent Callebaut ofrece un enfoque disruptivo, fusionando tecnología, ecología y urbanismo para la creación de ciudades inteligentes y sustentables. Sus propuestas incluyen edificaciones autosuficientes, granjas verticales y el uso de energías renovables, elementos que podrían sentar las bases para una revolución urbana en la región. Por lo que podríamos preguntarnos, ¿Cómo pueden estas ideas adaptarse a las realidades latinoamericanas? Este artículo examina sus conceptos y su potencial impacto en la configuración de ciudades más habitables y sostenibles en América Latina.

    Vincent Callebaut, nacido en 1977, es un arquitecto reconocido por su enfoque en la arquitectura ecológica y el urbanismo sostenible. Formado en el Instituto Victor Horta de Arquitectura en Bruselas, ha desarrollado proyectos innovadores que combinan tecnología, naturaleza y diseño futurista. Su enfoque integra arquitectura ecológica, urbanismo sostenible y biomímesis, con un marcado interés en la creación de ciudades autosuficientes y resilientes. Sus diseños incorporan tecnologías de vanguardia, energías renovables y materiales sostenibles con el objetivo de convertir los espacios urbanos en entornos verdes y funcionales. A lo largo de su carrera, ha recibido prestigiosos galardones como el Green Practitioner of the Year 2021, el Best Execution Architecture 2023 y el Global Quality Silver Pyramid 2024, consolidando su posición como referente en arquitectura sustentable.

    Para Callebaut, el diseño y la estética desempeñan un papel central en su obra, no solo como elementos visuales, sino como expresiones de una visión conceptual que integra funcionalidad, innovación y belleza. Su enfoque se distingue por una meticulosa atención al detalle y una armonía entre forma y propósito, lo que permite que sus proyectos trasciendan lo meramente utilitario para convertirse en manifestaciones de un pensamiento más amplio sobre el futuro. En este sentido, su visión futurista se refleja en el uso de materiales vanguardistas, tecnologías emergentes y conceptos que anticipan dinámicas sociales, culturales y ambientales aún en desarrollo. A través de su obra, el autor no solo imagina escenarios posibles, sino que los materializa en diseños que desafían los límites tradicionales y proponen nuevas formas de interacción entre el ser humano y su entorno.

    Entre sus obras más representativas destaca el proyecto «Taijitu», diseñado en 2024, un centro deportivo sostenible destinado a la práctica del Tai-Chi-Chuan. Ubicado en Shenyang, China, a orillas del río Hunhe, este complejo de 4.750 m² se integra armónicamente con la naturaleza circundante. Inspirado en el símbolo del Yin y Yang, su arquitectura biomimética adopta una doble espiral que reinterpreta las tradicionales estructuras de techos curvos en madera, respetando los principios de equilibrio y simetría propios de la cultura china. La propuesta refleja la filosofía de Callebaut, quien combina sostenibilidad, biomímesis y tecnología avanzada para desarrollar proyectos con un alto grado de innovación.

    Fuente: https://vincent.callebaut.org/object/241011_taijitu/taijitu/projects
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    El proyecto Dune (2025), por su parte, es una innovadora propuesta de arquitectura biomimética que fusiona urbanismo, ecología y tecnología para crear un entorno autosuficiente y resiliente al cambio climático. Inspirado en las formas orgánicas de las dunas y los ecosistemas costeros, este diseño integra materiales sostenibles, energía renovable y sistemas de ventilación natural para optimizar el consumo de recursos. Con una estructura que favorece la regeneración ambiental, Dune busca redefinir la relación entre la ciudad y la naturaleza, promoviendo un modelo de hábitat urbano en armonía con el planeta.

    Fuente: https://vincent.callebaut.org/object/240325_dunes/dunes/projects
    Fuente: https://vincent.callebaut.org/object/240325_dunes/dunes/projects
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    Estos proyectos abren una vía de reflexión sobre la construcción de viviendas en América Latina. La utilización de materiales reciclados y técnicas innovadoras, como el bioconcreto autocicatrizante, podría proporcionar alternativas viables para el desarrollo de viviendas sociales más duraderas y sostenibles en la región. Asimismo, la incorporación de energías renovables, techos verdes y granjas urbanas podría mejorar la calidad de vida en entornos densamente poblados. Un enfoque basado en la biomímesis y la autosuficiencia energética permitiría a las ciudades latinoamericanas no solo expandirse, sino hacerlo de manera armoniosa con su entorno, abordando simultáneamente los desafíos ambientales y sociales.

    Más allá de la arquitectura individual, Callebaut plantea proyectos de gran escala que transforman la planificación urbana con una visión futurista y una ética de armonía con la naturaleza. Un ejemplo destacado es el Nautilus Eco-Resort, situado en Palawan, Filipinas. Concebido como un centro de aprendizaje biomimético con emisiones, residuos y pobreza cero, este complejo sostenible fusiona arquitectura ecológica y turismo responsable. Con 12 torres en espiral y estructuras modulares, integra tecnologías renovables como energía solar y eólica, junto con sistemas de reciclaje de agua y residuos. Este diseño busca fomentar la biodiversidad y la educación ambiental, ofreciendo un modelo de desarrollo autosuficiente y respetuoso con el medioambiente.

    Fuente: https://vincent.callebaut.org/object/170831_nautilusecoresort/nautilusecoresort/projects
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    En el contexto latinoamericano, este tipo de diseños podrían generar un impacto transformador en regiones costeras vulnerables al cambio climático y la degradación ambiental. Propuestas biomiméticas, que integran energías renovables y reciclaje, podrían mitigar los efectos del turismo masivo y el crecimiento descontrolado en el Caribe mexicano, las costas colombianas o las islas centroamericanas. Además, al generar empleo verde y fomentar la resiliencia ante eventos climáticos extremos, estas iniciativas ofrecerían soluciones adaptadas a las necesidades locales.


    En esta misma línea de trabajo enfocada en los mares y los océanos, el proyecto «Lilypad» representa una innovadora propuesta de ciudad flotante sostenible, diseñada para enfrentar los desafíos del cambio climático y el aumento del nivel del mar. Inspirada en la forma de una flor de loto, esta ciudad tiene como objetivo ser un refugio autosuficiente para los refugiados climáticos, ofreciendo viviendas, espacios comunitarios y áreas agrícolas. Su diseño incorpora tecnologías ecológicas avanzadas, como la generación de energía a partir de fuentes solares, eólicas y geotérmicas, además de la desalinización del agua de mar para el abastecimiento de agua potable. La estructura está concebida para adaptarse a un entorno acuático, con plataformas flotantes capaces de ajustarse a los cambios en los niveles del agua. Este proyecto refleja la visión Callebaut sobre un futuro en el que las ciudades no solo se adapten a las condiciones ambientales, sino que también ofrezcan soluciones innovadoras a la crisis climática global. En el contexto de América Latina, particularmente en regiones costeras vulnerables al ascenso del nivel del mar y a los efectos del cambio climático, «Lilypad» podría representar una alternativa viable. Países como Colombia, México, Perú y las naciones insulares del Caribe enfrentan riesgos graves debido al aumento del nivel del mar y la intensificación de fenómenos climáticos extremos. La posibilidad de contar con espacios habitables flotantes y autosuficientes podría aliviar la presión sobre las zonas urbanas densamente pobladas, mitigando los efectos adversos de la urbanización descontrolada en estas regiones.

    Fuente: https://vincent.callebaut.org/object/080523_lilypad/lilypad/projects
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    Por su parte, el proyecto «Dragonfly» plantea un concepto futurista de rascacielos sostenible, inspirado en la naturaleza y diseñado para transformar el paisaje urbano mediante una arquitectura innovadora y ecológica. Su estructura, que recuerda la forma de una libélula, incorpora alas diseñadas para maximizar la captación de energía solar y eólica, permitiendo que el edificio funcione de manera autosuficiente. Además, integra tecnologías verdes como paneles solares, turbinas eólicas y sistemas de reciclaje de agua, configurándose como un ecosistema urbano autónomo que alberga espacios residenciales, comerciales y de cultivo vertical. Con esta propuesta, Callebaut proyecta un futuro en el que los edificios no solo cumplen funciones convencionales, sino que también contribuyen activamente a la regeneración del medio ambiente urbano. La aplicación de este tipo de proyectos en las grandes urbes de América Latina podría tener un impacto significativo, especialmente en ciudades como São Paulo, Ciudad de México, Buenos Aires y Bogotá, donde el crecimiento urbano acelerado ha generado problemas críticos como la contaminación, la congestión vehicular y la escasez de recursos. La incorporación de modelos urbanos sostenibles podría ser una solución viable para enfrentar estos desafíos. La integración de energías renovables, sistemas de reciclaje y agricultura urbana en la arquitectura contemporánea permitiría reducir la huella ecológica de las ciudades y mejorar la calidad de vida de sus habitantes.

    Fuente: https://vincent.callebaut.org/object/090429_dragonfly/dragonfly/projects
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    Esta visión de transformación urbana se refleja también en otros proyectos de Callebaut, como «Hyperion» y «Paris Smart City 2050». «Hyperion» es un concepto de rascacielos ecológico inspirado en la forma de un árbol, diseñado para integrar energías renovables y sistemas de reciclaje de agua, con el objetivo de generar un impacto positivo tanto en el medio ambiente como en la vida urbana. Por otro lado, «Paris Smart City 2050» es un modelo visionario de ciudad inteligente y sostenible que combina arquitectura avanzada, movilidad inteligente, gestión eficiente de recursos e integración de espacios verdes, con el fin de crear entornos urbanos resilientes y autosuficientes frente a los desafíos del cambio climático. Ambos proyectos representan una síntesis entre tecnología, naturaleza y diseño urbano, consolidando un paradigma de ciudades sostenibles para el futuro.

    Fuente: https://vincent.callebaut.org/object/160220_hyperions/hyperions/projects
    Fuente: https://vincent.callebaut.org/object/160220_hyperions/hyperions/projects
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    En este sentido, el proyecto «Paris Smart City 2050» podría servir como referencia para la modernización de las ciudades en América Latina. En una región caracterizada por un crecimiento urbano acelerado, altos niveles de desigualdad y retos ambientales como la contaminación y la deforestación, la visión de Callebaut ofrece soluciones adaptables. Sus propuestas incluyen edificios autosuficientes con generación de energía solar o eólica, la integración de áreas verdes para mitigar el calor urbano y la producción local de alimentos, reduciendo la dependencia de cadenas de suministro externas. Megaciudades como Bogotá, Ciudad de México y São Paulo podrían beneficiarse de estas ideas para reducir la presión sobre los recursos, mejorar la calidad del aire y fomentar una economía circular. La clave radica en la adaptación de estos diseños a las condiciones locales, abordando desafíos específicos como la gestión de lluvias tropicales y el uso de materiales y mano de obra regionales, garantizando un equilibrio entre innovación y contexto cultural.

    Fuente: https://vincent.callebaut.org/object/150105_parissmartcity2050/parissmartcity2050/projects
    Fuente: https://vincent.callebaut.org/object/150105_parissmartcity2050/parissmartcity2050/projects

    Otra de sus obras más recientes se encuentra Écume des Ondes (2024), en Aix-les-Bains, Francia, una transformación de las antiguas termas en un centro de bienestar sostenible con terrazas verdes onduladas y una granja acuapónica. Flower Tower (2024), en Bruselas, es un hospital híbrido de madera que prioriza el diseño biófilo, mientras que Harmocracy (2024), en Neom, Arabia Saudita, es un aeropuerto futurista que optimiza la energía solar y la ventilación natural. También se incluyen propuestas innovadoras como Green Line (2023), en Ginebra, un eco-distrito sin automóviles con villas en cascada de madera, y Green New Deal (2023), en Nueva York, que reimagina la ciudad con aldeas verticales diseñadas para reducir las emisiones en un 85% para 2050. En 2022, Manta Ray (Seúl) convirtió una autopista en desuso en un espacio productivo con puentes agrícolas, mientras que Archibiotec (París) creó una destilería urbana que transforma residuos en biocombustibles. Por su parte, Pollinator Park (2020), encargado por la Comisión Europea, es un parque virtual que educa sobre la importancia de los polinizadores mediante estructuras orgánicas simulando ecosistemas naturales. También existen proyectos conceptuales como Hydrogenase (2008), que imagina zepelines impulsados por biohidrógeno producido por algas, como transporte sin emisiones. Physalia (2007), otro proyecto global, es un barco-jardín que limpia ríos europeos con energía solar y biofiltración. Perfumed Jungle (2006), en Hong Kong, transforma el paseo marítimo en un «pulmón verde» con torres ecológicas entrelazadas. Anti-Smog (2005), en París, Francia, es un centro ecológico que purifica el aire con tecnologías verdes y diseño biomimético. Por último, Elasticity (2001), un proyecto académico, propone una ciudad acuática autónoma para 50,000 personas, marcando el inicio de la visión futurista de Callebaut.

    La aplicación de estos diseños en America Latina no obstante, enfrenta múltiples desafíos. La expansión descontrolada de las ciudades y la proliferación de asentamientos informales dificultan la planificación de infraestructuras sostenibles. Además, la desigualdad económica limita el acceso equitativo a tecnologías ecológicas. Las condiciones ambientales, como la contaminación del aire, la deforestación y la variabilidad climática, exigen una adaptación específica de los diseños arquitectónicos para optimizar la gestión de recursos en climas diversos. La integración de una economía circular y el uso de materiales locales pueden contribuir a la reducción de costos y al fomento del empleo regional, pero su implementación requiere modificaciones estructurales en los modelos de producción y consumo. Finalmente, la infraestructura tecnológica y la capacitación de las comunidades resultan fundamentales para garantizar la sostenibilidad a largo plazo de estos proyectos. En consecuencia, es imprescindible un enfoque integral que combine innovación, políticas públicas inclusivas y estrategias contextuales que respondan a las necesidades específicas de cada región.

    Se podría decir, La visión urbanística de Vincent Callebaut ofrece un marco innovador para repensar el diseño de las ciudades del futuro, integrando tecnología, ecología y funcionalidad en un modelo de urbanismo sostenible. Sus propuestas no solo anticipan los desafíos del cambio climático y la expansión urbana, sino que también plantean soluciones viables para reducir el impacto ambiental y mejorar la calidad de vida en entornos densamente poblados. En el contexto latinoamericano, donde las ciudades enfrentan problemas estructurales como la desigualdad, la contaminación y el déficit de infraestructura, la adaptación de estos conceptos resulta clave. Sin embargo, su implementación requiere la articulación de políticas públicas, inversión en tecnología y un cambio en la planificación urbana que priorice la sostenibilidad y la resiliencia. Más allá de la estética y la innovación arquitectónica, el verdadero reto radica en transformar estas ideas en soluciones concretas, accesibles y ajustadas a las realidades locales. El futuro de las ciudades dependerá de la capacidad de combinar visión y acción, adoptando estrategias que permitan un desarrollo equilibrado entre el crecimiento urbano y la preservación del entorno.


    Nota: Agradezco a la profesora Carolina Espitia por compartirme la importancia de la conciencia sobre el cambio climático en la Cátedra Latinoamericana de Pensamiento Ambiental y Crisis Climática de la Universidad Central; su guía me ha inspirado a la acción y a la reflexión para un futuro sostenible.


    Referencias: Callebaut, V. (2025). Projects. Vincent Callebaut Architectures. https://vincent.callebaut.org/