Introdução
A crise contemporânea do capital natural exige novas formas de compreensão, gestão e ação coletiva. Neste artigo, o capital natural é entendido como o conjunto de componentes bióticos e abióticos que sustentam a vida e os processos ecológicos, enquanto a biodiversidade se refere especificamente à variedade de genes, espécies, comunidades e ecossistemas que o integram. Embora os dois conceitos estejam estreitamente relacionados, eles não são equivalentes: a biodiversidade constitui uma dimensão central do capital natural e possui, além de suas funções ecológicas e sociais, um valor intrínseco que não depende exclusivamente de sua utilidade econômica.
Nesse contexto, a expressão infraestrutura viva designa o conjunto de sistemas ecológicos que sustentam processos territoriais como a regulação hídrica, a formação dos solos, a polinização, a conectividade ecológica, o fornecimento de alimentos, a estabilidade climática e a reprodução cultural das comunidades. Essa infraestrutura não se manifesta de maneira uniforme. A biota apresenta formas, densidades, relações e vulnerabilidades distintas nas florestas tropicais úmidas, florestas secas, páramos, áreas úmidas, zonas costeiras, ambientes marinhos, savanas, desertos e sistemas urbanos. Por isso, qualquer estratégia digital deve reconhecer a expressão diferenciada da vida nos grandes contextos ecológicos do planeta e evitar a aplicação da mesma grade, indicador ou modelo como se todos os territórios fossem comparáveis.
O estudo da natureza utiliza tecnologias há várias décadas. A cartografia, a fotografia aérea, o sensoriamento remoto, os bancos de dados, os sistemas de informação geográfica, a telemetria e a modelagem ecológica fazem parte da prática científica contemporânea. A novidade da nova era digital não reside, portanto, em digitalizar aquilo que antes era inteiramente analógico, mas em automatizar a coleta, a classificação, a integração e a interpretação de grandes volumes de informação. A inteligência artificial, os sensores remotos, o DNA ambiental, a bioacústica automatizada, os gêmeos digitais e as plataformas de relatórios ampliam as escalas espaciais e temporais da observação, mas também introduzem novos vieses, dependências tecnológicas e desafios de interpretação.
Na América Latina surge um paradoxo decisivo: a região concentra uma extraordinária riqueza biológica, mas grande parte de suas informações permanece dispersa, não digitalizada, afetada por lacunas taxonômicas, baixa interoperabilidade e acesso desigual. Essas desigualdades manifestam-se entre áreas urbanas e rurais, entre instituições com diferentes capacidades financeiras, entre ecossistemas intensamente monitorados e territórios remotos, bem como entre línguas dominantes e conhecimentos locais que nem sempre encontram espaço nas plataformas digitais. Democratizar a informação biótica exige, portanto, conectividade, infraestrutura pública, formação especializada, padrões comuns, reconhecimento de autoria e mecanismos de proteção para dados sensíveis (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe [CEPAL], 2024).
Essas tensões levantam questões incontornáveis: quem controla os dados do capital natural? Quem decide o que deve ser medido e em qual escala? Como evitar que a natureza seja reduzida a indicadores financeiros? Os limites biogeográficos, humanos e ecológicos são respeitados quando a vida é representada por meio de grades digitais? O que acontece com o conceito de unidade mínima cartografável quando os algoritmos agregam ou simplificam territórios heterogêneos? Qual é o lugar atribuído às comunidades locais, aos povos indígenas e aos conhecimentos territoriais? Essas perguntas não questionam o uso da tecnologia em si; questionam a ideia de que automatizar equivale necessariamente a compreender.
Da caracterização territorial a uma inteligência ecológica assistida
A conservação da biodiversidade tem se apoiado historicamente em inventários biológicos, coleções científicas, áreas protegidas, restauração ecológica, monitoramento de populações e regulamentação ambiental. Essas estratégias continuam sendo fundamentais. Antes de automatizar, é necessário conhecer o território: percorrê-lo, descrevê-lo, identificar espécies, registrar interações, compreender os ciclos ecológicos e confrontar os dados com a experiência daqueles que o habitam. Nenhum algoritmo substitui o trabalho de campo, a validação taxonômica ou a interpretação situada do pesquisador.
A modernização científica exige métodos estatísticos explícitos, rastreabilidade e decisões baseadas em evidências. No entanto, essa exigência não deve ocorrer em detrimento da caracterização básica. Os modelos dependem dos dados de origem, e os dados dependem de observações realizadas em condições específicas. Quando as amostras são escassas, geograficamente enviesadas ou derivadas de categorias mal definidas, a automação não elimina o problema: ela o amplia e lhe confere uma aparência de precisão.
Nesse contexto, a inteligência ecológica digital não deve ser entendida como uma qualidade autônoma das máquinas, mas como uma capacidade humana, científica e institucional apoiada por ferramentas computacionais. Os sistemas geralmente denominados inteligência artificial são treinados para reconhecer padrões, classificar registros ou estimar probabilidades. Eles podem emular determinadas operações cognitivas, mas não possuem a compreensão biológica, histórica, ética e territorial que orienta a pesquisa ecológica. Sua função deve ser auxiliar, e não substituir.
Essas ferramentas podem contribuir para a identificação de espécies, a análise de imagens e sons, a detecção de mudanças na cobertura do solo, a modelagem da distribuição das espécies e a geração de alertas precoces. Seus resultados, entretanto, devem ser submetidos à validação de campo, à análise de incertezas, à avaliação de vieses e ao exame de sua transferibilidade entre diferentes regiões. Um modelo treinado em uma floresta úmida, em uma coleção urbana ou a partir de um conjunto de espécies bem documentadas não pode ser automaticamente extrapolado para outros contextos. A inteligência ecológica resulta da articulação entre dados, conhecimento naturalista, métodos quantitativos, experiência territorial e deliberação pública (Cañas et al., 2025).
O capital natural como sistema de informação, e não como mercadoria
Na era digital, os sinais dos ecossistemas podem ser transformados em dados: imagens, sons, sequências genéticas, registros de ocorrência, variáveis climáticas, propriedades do solo, fluxos hídricos e mudanças na vegetação. Sensores, satélites, drones, armadilhas fotográficas, DNA ambiental e plataformas geoespaciais permitem construir camadas de informação que anteriormente eram difíceis de integrar. Entretanto, os dados não são a natureza; são representações parciais produzidas a partir de decisões relacionadas à escala, à amostragem, à resolução, às categorias e aos métodos de validação.
Essa distinção é importante porque o capital natural não pode ser reduzido a um conjunto de ativos, riscos ou oportunidades. A vida possui valores intrínsecos, relacionais, culturais e ecológicos que não são ordinais nem plenamente intercambiáveis. Uma espécie endêmica, uma área úmida sagrada, um corredor biológico ou uma relação ecológica não podem ser automaticamente substituídos por mecanismos de compensação contábil. Reconhecer os impactos e as dependências empresariais pode ser útil, mas isso não deve suprimir o direito dos ecossistemas de persistir nem as obrigações coletivas de cuidado (Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services [IPBES], 2022).
A abordagem LEAP, desenvolvida pela Taskforce on Nature-related Financial Disclosures, pode ajudar as organizações a localizar, avaliar, analisar e preparar respostas para questões relacionadas à natureza. Sua aplicação, porém, exige consulta significativa, participação antecipada e governança de dados. Aplicá-la em territórios indígenas ou comunitários sem consentimento, sem acordos sobre a propriedade e o uso das informações ou sem mecanismos de repartição de benefícios pode transformar o monitoramento em uma forma de extrativismo de dados. As próprias orientações da TNFD reconhecem que o envolvimento dos povos indígenas, das comunidades locais e das partes interessadas afetadas deve estar integrado a todo o processo de avaliação, e não limitado a uma validação posterior (Taskforce on Nature-related Financial Disclosures [TNFD], 2023a, 2023b).
Tecnologias antecipatórias submetidas a limites ecológicos e padrões comuns
Uma das principais possibilidades oferecidas pela automação consiste no fortalecimento de uma gestão antecipatória. Em vez de intervir somente depois que o dano ocorre, as ferramentas digitais podem detectar sinais precoces de desmatamento, fragmentação, perda de espécies, alteração hidrológica, incêndios, poluição ou mudanças fenológicas. Essas capacidades podem apoiar governos, universidades, comunidades e organizações, desde que os sistemas de alerta precoce estejam conectados a decisões, recursos e responsabilidades concretas.
A utilidade dessas ferramentas depende da qualidade, da representatividade e da comparabilidade dos dados. A América Latina ainda está distante de alcançar uma interoperabilidade plena: persistem registros não digitalizados, os padrões são aplicados de maneira desigual, os metadados são incompletos, permanecem lacunas geográficas e taxonômicas e existem dificuldades para integrar informações provenientes de diferentes países, instituições e ecossistemas. As plataformas globais contribuíram para mobilizar os dados, mas não corrigem, por si mesmas, os vieses de origem nem garantem a validação nomenclatural e ecológica (Global Biodiversity Information Facility [GBIF], 2020; Bloom et al., 2021).
A agenda regional deve avançar em direção a protocolos de amostragem comparáveis, vocabulários controlados, identificadores persistentes, metadados completos, coleções de referência, validação taxonômica, interoperabilidade entre sistemas e acesso multilíngue. Democratizar não significa publicar de maneira indiscriminada. A localização de algumas espécies ameaçadas, os conhecimentos tradicionais ou os dados genéticos exigem níveis diferenciados de acesso. A abertura deve estar associada à proteção, à atribuição, ao consentimento e à responsabilidade.
Natureza positiva: um horizonte político, e não uma garantia tecnológica
O conceito de natureza positiva propõe interromper e reverter a perda de biodiversidade, restaurar ecossistemas e reorganizar as atividades econômicas para que não destruam as bases ecológicas das quais dependem. Como horizonte político, ele pode mobilizar ações relevantes, mas se torna problemático quando é apresentado de forma determinista, como se a tecnologia pudesse reverter unilateralmente processos complexos ou restaurar qualquer sistema degradado.
Os ecossistemas respondem a limiares, dependências históricas, interações não lineares e períodos de recuperação que nem sempre correspondem aos ciclos de investimento ou de políticas públicas. Algumas perdas são irreversíveis; outras exigem décadas e não podem ser compensadas por um aumento equivalente em outro local. A noção de natureza positiva, portanto, somente adquire sentido operacional quando está vinculada a inventários, linhas de base, áreas de referência, limites ecológicos, monitoramento contínuo, verificação de campo, participação comunitária e gestão adaptativa.
O Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal estabeleceu quatro objetivos para 2050 e 23 metas de ação para 2030, acompanhados de um marco de monitoramento destinado a orientar sua implementação. Seu alcance não deve ser interpretado como uma autorização para simplificar a natureza em um painel de indicadores, mas como um convite para fortalecer as capacidades científicas, institucionais e sociais necessárias à conservação, à restauração e ao uso sustentável da biodiversidade (Convention on Biological Diversity [CBD], 2022). A medição é necessária, mas não pode substituir a deliberação sobre o que deve ser protegido, para quem e dentro de quais limites.
A pegada material e biogeográfica do digital
Nem tudo o que é digital é ecologicamente sustentável. A infraestrutura tecnológica consome energia, água, minerais, terras e materiais; produz resíduos eletrônicos e exige redes de armazenamento e processamento cuja pegada frequentemente permanece invisível para os usuários. Até mesmo a observação da Terra produz impactos associados aos satélites, aos centros de dados, à transmissão, ao armazenamento e ao processamento em nuvem (Anderson et al., 2024). A expansão do setor tecnológico também aumenta a dependência de energia, água, minerais críticos e infraestruturas físicas, podendo exercer pressões adicionais sobre os ecossistemas (World Economic Forum, 2025).
Essas pegadas não são territorialmente equivalentes. Um centro de dados instalado em uma região submetida ao estresse hídrico, caracterizada por elevada sensibilidade ecológica ou dependente de uma matriz energética intensiva em carbono não produz os mesmos efeitos que uma instalação localizada em outro contexto. As políticas industriais frequentemente tratam o consumo de água ou energia como um valor agregado e ignoram aspectos biogeográficos básicos: disponibilidade sazonal, conectividade hidrológica, espécies endêmicas, vulnerabilidade dos aquíferos e usos culturais do território.
A mesma contradição aparece nos minerais críticos que alimentam dispositivos, baterias e redes. A extração de coltan e de outros minerais nas fronteiras amazônicas, assim como a exploração de lítio nos salares dos planaltos andinos, pode degradar ecossistemas frágeis, afetar fontes de água e intensificar conflitos com as comunidades locais. A precisão geográfica é fundamental: não se trata de afirmar que todos esses minerais são extraídos nos mesmos ambientes, mas de reconhecer que a infraestrutura digital conecta territórios distantes por meio de cadeias materiais cujos custos ecológicos permanecem ocultos.
Os estudos realizados em áreas úmidas e salares de elevada altitude também mostram que cada bacia possui características hidrogeológicas e ecológicas específicas e não pode ser tratada como diretamente comparável a outros territórios ou projetos. A extração de lítio pode modificar os balanços hídricos, alterar as relações entre águas superficiais e subterrâneas e aumentar a pressão sobre ecossistemas que dependem de condições ambientais muito específicas (García-Sanz et al., 2021; Vera et al., 2023).
Governança, Protocolo de Nagoya e soberania dos dados
A digitalização pode transformar informações genéticas, registros de espécies, mapas ecológicos e conhecimentos tradicionais em ativos circuláveis. Esse processo levanta questões relacionadas à apropriação, à validação, à propriedade intelectual e à repartição de benefícios. Os dados relativos ao capital natural podem ser comercializados sem validação taxonômica? Quem autoriza sua utilização quando são originados em territórios administrados coletivamente? Como são reconhecidas as contribuições dos pesquisadores locais, das comunidades e dos responsáveis pelas coleções?
O Protocolo de Nagoya fornece um marco para o acesso aos recursos genéticos, o consentimento prévio informado, as condições mutuamente acordadas e a repartição justa e equitativa dos benefícios decorrentes de sua utilização. Sua implementação é essencial para evitar que a digitalização reproduza formas extrativistas de bioprospecção. A circulação de sequências, modelos e bancos de dados, entretanto, cria desafios adicionais que exigem regulamentações nacionais, acordos comunitários e mecanismos de rastreabilidade adaptados ao ambiente digital (Convention on Biological Diversity, 2011).
A soberania dos dados ambientais não pode ser reduzida ao armazenamento de informações em servidores nacionais. Ela exige a capacidade de produzir, interpretar, validar e proteger os dados, bem como de decidir sobre seus usos. Sem inventários biológicos, coleções científicas, taxonomistas, ecólogos de campo, infraestruturas públicas, conectividade territorial e comunidades com poder de decisão, a soberania digital se transforma em uma aspiração vazia. Conhecer o território é uma condição para conservá-lo; digitalizar sem conhecer pode reforçar as mesmas assimetrias que a digitalização pretende superar.
América Latina e Colômbia: da abundância biológica à autonomia científica
A América Latina ocupa uma posição central nesse debate em razão da diversidade de suas florestas tropicais úmidas, florestas secas, páramos, savanas, áreas úmidas, zonas costeiras, ambientes marinhos e sistemas de alta montanha, bem como da pluralidade cultural de seus territórios. Essa riqueza convive com o desmatamento, a mineração, a expansão urbana, a fragmentação, os conflitos relacionados à água e profundas desigualdades científicas e tecnológicas. A região não enfrenta uma escassez de vida, mas uma escassez relativa de informações interoperáveis, capacidades distribuídas e controle público sobre as infraestruturas que transformam a vida em dados.
A Colômbia tem a oportunidade de construir uma agenda de inteligência ecológica situada. Essa agenda deveria começar pelo fortalecimento dos inventários, das coleções, do monitoramento de campo e da formação taxonômica; pela articulação entre universidades, institutos de pesquisa, comunidades, Estado e empresas; pelo desenvolvimento de infraestruturas públicas para dados biológicos; pela adoção de padrões interoperáveis; pela proteção dos conhecimentos tradicionais; e pela promoção de modelos computacionais validados nos ecossistemas do país.
O objetivo não deve ser transformar a biodiversidade em uma nova matéria-prima digital, mas ampliar a autonomia necessária para compreender, cuidar e governar o território. A região pode deixar de ser apenas fornecedora de recursos e dados para se tornar produtora de seus próprios conhecimentos, tecnologias e decisões, desde que a inovação permaneça subordinada aos limites ecológicos, aos direitos coletivos e às responsabilidades públicas. A sequência é importante: primeiro o território, o inventário e a compreensão; depois, a automação.
Conclusão
A nova era digital está transformando a maneira como o capital natural é observado e administrado, mas não altera uma verdade fundamental: a vida não é um banco de dados e os ecossistemas não são dispositivos que podem ser simplesmente reiniciados. As tecnologias podem ampliar as capacidades de observação, acelerar as análises e apoiar os sistemas de alerta precoce; elas não podem substituir o trabalho de campo, a validação científica, a experiência territorial ou a deliberação ética.
Uma inteligência ecológica digital responsável deve reconhecer a heterogeneidade biogeográfica, o valor intrínseco da natureza, os limites da automação, a necessidade de padrões comuns, a participação das comunidades e a pegada material da própria infraestrutura tecnológica. Também deve impedir que as informações biológicas sejam extraídas, comercializadas ou processadas sem consentimento, rastreabilidade e repartição justa dos benefícios.
O principal perigo do reducionismo digital consiste em imaginar a natureza como um simples “Ctrl + Z”: um sistema no qual todos os danos poderiam ser desfeitos por meio de dados, restauração automatizada ou compensações. Essa ilusão tecnocrática ignora a irreversibilidade, os limiares ecológicos e a singularidade de cada território. A tarefa do século XXI não consiste em digitalizar a biodiversidade até torná-la abstrata, mas em governar a tecnologia a partir da vida, do território e de seus limites ecológicos.
Referências
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Cañas, J. S., Parra-Guevara, C., Montoya-Castrillón, M., Ramírez-Mejía, J. M., Perilla, G. A., Marentes, E., Leuro, N., Sandoval-Sierra, J. V., Martínez-Callejas, S., Díaz, A., Murcia, M., Noguera-Urbano, E. A., Ochoa-Quintero, J. M., Rodríguez Buriticá, S., & Ulloa, J. S. (2025). Inteligencia artificial para la conservación y uso sostenible de la biodiversidad: Una visión desde Colombia [Preprint]. arXiv. https://doi.org/10.48550/arXiv.2503.14543
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